campominado


miniaturista

liliputiana

faz chover

pelos campos

com a mente

projeta

uma nova dança

no verão

 

 

 



Escrito por ev às 00h48
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nas minhas mãos

um tesouro nas mãos

brilhando, inatingível

nas minhas mãos


carregar não posso

impossuível, intangível

nas minhas mãos


valeria pouco menos que areia

em alguns minutos


valeria a vida inteira na memória

cruzar o mundo e ver de perto

deixá-lo onde encontrei

 

 



Escrito por ev às 17h15
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caminhar

na estrada a chuva

o caminho incerto

nenhuma idéia

nenhuma sombra


caminhar, caminhar

caminhar, caminhar


na estrada a chuva

a roupa encharcada

as gotas

d'agua

percorrem

os mais escondidos

buracos do corpo


caminhar, caminhar

caminhar


na estrada a chuva

nenhum refúgio

as pancadas de seis homens raivosos

na cabeça


caminhar, caminhar

caminhar


na estrada a chuva

os ossos gelados

o vento a água

nenhum refúgio


brincando com a água

dentro dos sapatos

chupando a água das roupas

mesmo que não sirva de nada


caminhar, caminhar


contra o vento

contra a água dos carros

contra a chuva

nenhum abrigo


caminhar caminhar

caminhar caminhar


e quando chegar

muito depois de chegar

o desespero tardio

o choro contido

o medo esquecido

na estrada



Escrito por ev às 15h53
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oferenda

me dê um e eu te devolvo

mas não o que você quer:

a humanidade não precisa tanto de livros

quanto de ler

e viveu muito bem antes de aprender

te peço muitos e me dás um:

a poesia se nega ao estrangeiro

nós índios não podemos saber


dei meu corpo em oferenda

um churrasco entre amigos

consumido pelos meus

anotado em papelzinho

guardado pela tribo


já encontrei o diabo e o temi

mas vi que não precisava

cada um carrega sua dor

e ele tem as suas também.


ela preferiu sofrer a amar

e não ganhou nada assim

viu-se dominada por outra

que lhe vive dentro

e alerta do risco


ela preferiu sofrer a amar

sonhou do sonho alheio

adoeceu

do sentimento

 

 

 

 



Escrito por ev às 11h46
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minha casa sem paredes

procuro minha casa

onde não existem

cercas nem paredes

nem muros nem gaiolas

estradas ou cimento


no mar afundarei

nem medo nem boias

na grama

com as meninas e os meninos

nas árvores nos balanços


voarei

pelos caminhos no mato

sem culpas ou verdades

ali, de onde se vê toda a cidade

minha casa sem paredes,

minha vida sem gaiolas


e se me perguntarem o que deixarei para o futuro

responderei: nada.

é este o momento que me apressa

e só por ele respondo

 



Escrito por ev às 11h25
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o tempo da promessa

willian hammershøi

 

quando era jovem e bela

andava pelos campos

respirava os lagos e flores

conhecia as trilhas e as florestas

sabia o cheiro da chuva e da terra

quando era jovem e bela


hoje sentada no banco do trem

a vida é mais dura e fria

por que foi acontecer?

havia algo a fazer?


quando era jovem e bela

e os olhos se voltavam para ela

sentia o tempo flutuar no ar

sabia que podia esperar


hoje na estação

nem se nota,

se havia algo a fazer

já é tarde


hoje não há floresta

e aquele vento já não sopra mais

queria ter de volta o tempo

o tempo da promessa



Escrito por ev às 15h51
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quando eu chegar

... e quando eu chegar

não deixe a porta fechada

quando eu chegar

no meio da noite escura

deixe a luz acesa

quando eu chegar


com a urgência da chegada

com o cansaço da viagem

abra a porta

pegue minha bagagem

não me deixe esperar



quando eu chegar

com as mãos molhadas

o rosto machucado pelo tempo

quando eu chegar

minha bandeira já manchada de poeira

os caminhos percorridos para trás

quando eu chegar

como um estrangeiro

me acolha com todo seu amor



Escrito por ev às 00h47
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mundo mundo

 

mundo mundo

velho mundo

quando eu deixar de lamentar

você já pode me levar


um que nasce outro morre

um que come e outro chora

mundo, mundo,

irmão mundo


quando o caminho que me leva

já não for mais

aquele de anos atrás


quando o grito não sair

quando a dor não me tocar

mundo mundo

meu pai mundo


quando não quiser seu peito

quando recusar seu leito

mundo mundo

mamãe mundo

pode me levar



Escrito por ev às 00h40
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fiz minha parte

leva uma vida inteira

jogar pela janela

você lembra?

 

fiz minha parte

e não me sinto nada bem

 



Escrito por ev às 01h41
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fluelort

 

um pedaço de sujeira

pendurada no teto

até a merda da mosca

deve estar no lugar certo

 

um erro de cálculo

que nunca antes foi notado

melhor deixar de lado

nunca se sabe

 

se pensa que tenho lugar

no mundo talvez

esteja enganado

 

sou carteira perdida

sou carimbo vermelho

em papel errado



Escrito por ev às 05h56
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no meio da noite

 

agarre minha mão

e não me deixe assim

no meio da noite

 

me olhe nos olhos

agarre minha mão

e não me deixe sair

 

no meio da noite

pela rua gelada

o frio no rosto

o coração vazio

 

o medo do amor

entre nossas faces

perambula distraído

em nossos olhares

 

eu já não quero

me perder no invisível

no meio da noite

agarre minha mão

não me deixe sozinho

no meio da noite

 

 

 



Escrito por ev às 19h17
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morrer gritando

foto Guaraci Gabriel


de você conheço as estórias

tanta estória

de dor e alegria

de filhos e afilhados

eu não tenho nada disso.


de você conheço as viagens

tanta estrada

tanto tédio em rodoviária

noites de mosquito

cheiro de churrasco

empoeirado


assim levava a vida

achando graça

mas dentro sabe o quanto doía

mais perto, mais parte

mais tarde, mais vale

mais-valia


e se a dor endurece

com os anos aprendeu a não ter pena

dos ricos

e tomar para si

cada injustiça do caminho

se ainda é capaz de sentir indignação

sinal de que ainda vive

e pretende morrer gritando.



Escrito por ev às 12h08
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se me queres oráculo, deixa estar:

"o amor se encontra em qualquer lugar"

se me queres criança vou estar

pensamento longe

não sei onde procurar

 

se existe um meio de cavalgar

léguas de ar

em um cavalo de vento

galopar

na infância dos sentimentos

ferroar

a carne tenra dos acontecimentos

abraçar

tudo que se encontra

em movimento

 

somos crianças no mundo

nada devemos temer.



Escrito por ev às 16h55
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este laço

 

enquanto você escreve em algum bar

esperando a cerveja acabar

olhares dos homens  ao redor

você sabe o que eles querem

mas hoje você não quer dar

hoje não.

 

para quem não sabe

não tem diferença

o que você é e o que faz

por isso o laço

prefiro mantê-lo longe

 

lembrar

nunca neste local

não agora

 

enquanto tudo é paisagem

posso descansar e fingir que não percebo

olho para o outro lado

sinto sua raiva,

tenho as portas abertas para ela

quando quiser

entrar e sair

 

que fique claro

detesto os homens e seus brinquedos

as mulheres e suas manias

os diálogos vazios

que nunca serviram para dizer

apenas para estar

e suportar

este laço

prefiro mantê-lo longe

 

de você quero apenas

a suavidade dos momentos férteis

 



Escrito por ev às 16h21
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hora de voltar prá casa

 

menina-periferia

me pega pelo braço

me leva de olhos vendados

me senta no chão

 

nunca antes ali

passou aquela gente

andando na terra

na beira da represa

chamando todo mundo

entrar na brincadeira

 

a noite caía

o vento soprava

em volta da fogueira

a turma aninhada

 

no fim só restou

a luz alaranjada

nem gente nem fogo

jogo ou brincadeira

hora de voltar prá casa

hora de voltar prá casa.



Escrito por ev às 11h01
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