campominado


oferenda

me dê um e eu te devolvo

mas não o que você quer:

a humanidade não precisa tanto de livros

quanto de ler

e viveu muito bem antes de aprender

te peço muitos e me dás um:

a poesia se nega ao estrangeiro

nós índios não podemos saber


dei meu corpo em oferenda

um churrasco entre amigos

consumido pelos meus

anotado em papelzinho

guardado pela tribo


já encontrei o diabo e o temi

mas vi que não precisava

cada um carrega sua dor

e ele tem as suas também.


ela preferiu sofrer a amar

e não ganhou nada assim

viu-se dominada por outra

que lhe vive dentro

e alerta do risco


ela preferiu sofrer a amar

sonhou do sonho alheio

adoeceu

do sentimento

 

 

 

 



Escrito por ev às 11h46
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