campominado


a gaiola


meu tesouro ainda levará muito tempo até ser desenterrado
muito mais trevas hão de assombrar este lugar
as trombetas soam e o barulho é surdo
o barulho é surdo no mundo
li sua carta e nunca saberei te responder
porque bateria na sua porta outra vez?
porque bateste a minha?
eu vou ler e vou dizer
existe uma gravidade ali
a qual não saberia responder
exceto por
o momento que me importa é agora
e os outros pouco podem me ajudar
e o que nós vivemos pode ser mais ou menos o que outro alguém viveu
mas que importa se a experiência é uma só?


você cantando a vida
com ânimo de passarinho
repete meu nome com voz fina
parpadeia
essa coisa tão fugaz
essa coisinha que morre
fica dura e morre na gaiola

eu nunca farei nada para machucar você
por isso as vezes calo e esse silêncio
é um tipo de amor
ver isso refletido nos olhos de alguém
mesmo que seja um equívoco
...



Escrito por ev às 01h25
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