campominado


um ano

levei um ano para voltar aqui.

fiz um bom back up e provavelmente esse blog deixe de existir.

vamos ver.



Escrito por ev às 18h56
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primavera nos quadris

 

outono na sua boca

primavera nos quadris

miseráveis lá fora

e nós dentro- nós aqui


naquele silêncio -

quarto mudo-

quebrado pelos gemidos,

seus olhos -

eram claros, verdes, negros?

eras cinza, verde, azul?


tua sombra

vermelha violeta?

viva nota violenta

eras tú?


explosão de colchas e prazeres

me fazias úmido e seco

adulto e menino

era pancada e eco

suspiro e gemido


aquela cama

me permitiu sonhar

sobrevoar seu corpo

como avião na serra

cordilheira tua carne

onde despontavam estações


e era outono na sua boca

e primavera nos quadris



Escrito por ev às 20h27
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archeoglifos

> >> > " Rastro aqui.
> >> > Pata? Nada.
> >> > Ali perna pegada.
> >> > Resto? Pé aqui.
> >> > Ali cavalo perto.
> >> > Cavalo cavado.
> >> >
> >> > Perna perna perna?
> >> > Aqui ali além."

 

http://mileumanotas.wordpress.com/trabalhos/2003-2/archeoglifos/



Escrito por ev às 19h44
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para o dia em que sentirmos saudades

http://www.esa.int/images/16_9_L,400.swf

 

estudando os tijolos me toquei:

"não se pode obedecer dois mestres"

as ruínas aceitam sua morte lenta


as vezes consideramos heroísmo

o que não passa de ignorância


-em cada face um enigma-


e pensar que um dia sentiremos saudades disso aqui.



Escrito por ev às 13h02
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o mágico

mathieu struck

http://organismo.art.br/blog/?cat=73&paged=3

 

pedi que me mostrasse:

a taça dividida ao meio,

uma moeda - daquelas de um real

dividida em duas

um ovo- uma casca

dividida


"não gosto" - disse o mágico- sem explicar,

"não gosto",

lembrei de mim mesmo

das minhas tantas mágicas que não gostava

e o quanto de técnica

havia em cada uma delas.


aquilo não era mágica, era ilusão,

um extremo da técnica camuflada

que se por um instante se vislumbrasse técnica

desmanchava.


os olhos do mágico,

ciente da sua própria farsa.


blefou e esperou algum movimento inesperado,

algum músculo que, fora de controle, saltasse,

e denunciasse minha surpresa.


eu olhei de novo

a moeda, a taça, o ovo

a mágica

a técnica,

não há nada de mal aí, quis dizer

mas seus olhos me fugiram.



Escrito por ev às 13h21
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casa de gelo

 

era um túnel

cavado dentro da montanha

de neve


era tudo branco

com paredes circulares

e chão reto


tudo muito branco

e liso

e gelado


eu andava lá dentro

furtivo, escondido


aquele era meu lar

aquele era eu



Escrito por ev às 11h02
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gostaria?

de um lado para o outro

palavras ideias amores

sinais eletronicos

não sei se consigo desta margem

alcançar


se eu gostaria

buscar o impossível?

é só para isso que vivo

mesmo sabendo que tudo se transforma:

o ideal é inimigo do possível -

eu gostaria de caminhar contigo

você gostaria de vir?



Escrito por ev às 12h19
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esperando

igreja bom jesus dos martirios, recife

 

 

 

esperando esperando

a sua figura surgir

esperando esperando

até quando?


parece obvio

que em algum momento

no meio da noite

debaixo da chuva

descendo a rua


esperando, esperando

não dá para durmir

esperando esperando

passo a noite esperando

até quando quando


dobrou a esquina errada

pelo outro lado da estrada

agarrada por um louco

desesperado


atravessou um bosque

em um caminho alagado

num passeio descalçado

penso em tudo que possa te fazer

atrasar

até quando, quando?

possivel de te ver?


quando chegar

será como

a primeira luz do dia

batendo no peito

de manhã cedo

quando chegar



Escrito por ev às 06h23
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sacrificio

 

mais uma vez

ofereci meu corpo ao sacrifício

fui deixado em molho

e devorado na manhã seguinte


pensei que o lençol fosse me proteger

o escuro me esconder

mas logo cedo notei

ainda que fingisse não me mover

seu olhos cravados em mim


eu devia saber

ofereci meu corpo ao sacrifício

quando deveria correr.



Escrito por ev às 20h49
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ela olhava para nós

 

ela olhava para nós como olharia

para qualquer coisa

e sorria para nós

que vivemos nesse futuro distante


nós que olhamos e sorrimos

para um futuro distante

e ignorado

onde nos dirão

sorria para nós

que nunca nos conheceu.

nem nunca irá saber

quem se esconde

por trás

das linguagens

das máquinas.



Escrito por ev às 01h28
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ela é boa

Hipgnosis


ela é boa,

e me faz sorrir todos os dias


mesmo quando a vontade é outra

e quando a luta é dura

ela é o doce da espera

no fim da noite


ela é boa

ela me faz sorrir






 



Escrito por ev às 22h24
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detergente

na janela de um onibus

a paisagem se repete

se acumula dia após dia

a gordura dos corpos

os cheiros

os vícios

do pensamento

um mugre de repetição

mecânica, agônica

 

seus olhos são o detergente desta cidade



Escrito por ev às 23h38
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o último

deus provê

mas a chuva e o vento

entram em cada buraco

do cobertor.


vim a ser o último de minha tribo

voltei prá cidade dos brancos

como há vinte e cinco não fazia.

desta vez não me reconheceram,

e se bem pude caminhar

sem ser atacado

no espanto que as faces revelavam

pude perceber quem eu era.


deus provê

mas a fome e a dor


dos nossos sobraram uns tantos

espalhados pelo mundo

uns foram de gripe

outros foram de tiro.

boa parte foi vergonha

de não poder plantar milho

de ver sumir a mata toda

e com ela ver sumir os bichos,

e se você acha que isso não mata

eu te digo

sou o último de minha tribo

estou na cidade dos brancos

e vivo de caridade.


deus provê

mas o chão e o asfalto




Escrito por ev às 09h24
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o sol o vento a chuva

nascido selvagem

folha por folha

cabeça para fora da terra

divide

divide

outra folha sai do broto

cabeca para fora

divide divide

o sol a agua o sol o vento


o sol e o vento

nos cabelos, florescendo

nos olhos  no riso no cabelo

no cheiro

nas escolhas precoces

sempre o pior caminho

o primeiro peitinho

o primeiro sanguinho

sol, é vento é chuva

é noite, é dia

é sol, é vento, é chuva


é a primeira florada

é a cabeleira espalhada

é espiga precoce, é a espinha na face

cabelo de lado

é o enfado, é o enfado

tudo é promessa

nada é concreto

é a sala, é a casa

é o quarto, é a sala

é a casa


não foi mais, vazou

fugiu, nem viu

com os piores amigos

trilhando rios impossíveis

estradas sem destino

nada é fim, tudo é caminho

e o destino se desata longe

como o mecanismo do gatilho


espigas maduras

no auge da forma

cabelos ao vento

e uma resposta

e uma pergunta

e enxerga os tiranos

e se encontra escravo

e se compra uma caixa

e esconde dentro dela

enquanto pode

e procura esquecer


e cai um

e cai outro

e um que vale

e outro escroto

e cai um e cai outro

um de tiro

um de cancer

as mãos cansadas

da sala ao quarto

da cama ao armário

escorregam pelo tecido

dos lençóis

os olhos ainda tentam captar

algo antes de apagar

o sol, o vento

a chuva



Escrito por ev às 00h42
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a linha

mudei

de telefone e não falei

prá ninguém

joguei o celular no rio

e não busquei


quebrei

a campainha lá de fora e não falei

prá ninguém

falei

goodbye para menina

e não voltei

para lá


não sei

se vou na festinha

na verdade sei

cansei

do meu trabalho

e não voltei

para lá


eu não ligo se você se importa

e nem o que vai na sua cabeça

tanto faz se é reta ou torta

a linha que você pisa

 



Escrito por ev às 10h36
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